domingo, 1 de Novembro de 2009

Obama e o HIV


Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, foi aplaudido pela ONU após ter anunciado ontem o cancelamento de uma lei, em vigor há 22 anos, que impedia a entrada no país de pessoas infectadas com o vírus HIV.

quinta-feira, 19 de Março de 2009

Não Papem esta conversa!


“O Papa Bento XVI declarou hoje que a distribuição de preservativos não é a resposta adequada para se ajudar a África a combater a sida.
No avião que o leva de Roma para Yaoundé, nos Camarões, o chefe da Igreja Católica insistiu em que o problema da seropositividade "não se pode resolver com a distribuição de preservativos", pois que, "pelo contrário, isso só irá complicar a situação".
O Vaticano recomenda a abstinência sexual para se combater a propagação das infecções com HIV e foi essa mesma linha que Bento XVI agora reafirmou no início de uma viagem de uma semana aos Camarões e a Angola.”
Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1369556
Cada vez fico mais incrédula com as declarações deste senhor! Orientações religiosas à parte, vamos ser sérios, este discurso é ridículo!!! Porque ninguém vai optar pela abstinência sexual POR FAVOR PROTEJAM-SE!

domingo, 22 de Fevereiro de 2009

VIH - Vias de transmissão


Os vírus do VIH transmitem-se principalmente através de:

Relações sexuais não protegidas

As relações sexuais não protegidas são a maior via transmissão. Uma pessoa infectada que tenha qualquer tipo de relação sexual com penetração (vaginal, anal, oral) sem preservativo pode transmitir o vírus para o seu parceiro.
O vírus encontra-se presente nas secreções e fluidos sexuais e transmitem-se pelo contacto directo com as secreções e mucosas do parceiro, daí que outro meio de contracepção que não o preservativo não evita o contagio. E basta apenas uma vez, apenas uma relação sexual não protegida para se poder contrair o vírus da SIDA.
O risco aumenta nas relações sexuais com desconhecidos, múltiplos parceiros sexuais ou ocasionais, aqui o aspecto aparentemente saudável do parceiro não pode pesar no uso de preservativo, a sua utilização é sempre imprescindível.

Via materno-infantil (período de gravidez, parto, amamentação)

Caso a mãe esteja infectada, esta poderá transmitir o vírus ao seu bebé durante a gravidez através do seu próprio sangue (transmissão vertical), ou durante o parto através das secreções vaginais e do sangue. O vírus pode ser também passado para a criança pelo leite na fase de amamentação.


Via parentérica (pelo sangue e instrumentos infectos (seringas agulhas))

O sangue infectado pode também entrar noutro indivíduo através de troca de seringas entre toxicodependentes. A possibilidade de transmissão por transfusão de sangue ou derivados é, hoje em dia, uma possibilidade remota dado o avanço dos serviços médicos e das preocupações em filtrar e combater esta doença.

A transmissão é possível por qualquer uma destas vias, variando de acordo com a carga víral no sangue do portador e da existência de lesões mucosas.

É muito importante frisar que embora o VIH possa ser ocasionalmente isolado a partir da saliva, lágrimas, urina e fezes não há casos em que a transmissão tenha ocorrido através destes fluidos corporais.
O VIH não se transmite por um aperto de mão, por um abraço, por um beijo na cara ou na boca, através dos alimentos, água, espirro, tosse, picadas de insectos, piscinas ou casas de banho.

Todos os casos detectados que possam eventualmente ser uma nova via de transmissão, são investigadas cuidadosamente pelos departamentos locais e estatais de saúde.


quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

A percepção do risco

“A população em geral é mais influenciada pelas próprias percepções de risco do que por estatísticas que traduzem a probabilidade de desenvolvimento de uma doença.”[1]


A percepção do risco, tem a ver com a consciência do risco e com a difusão desta consciência. O risco pressupõe o perigo mas não necessariamente a consciência desse perigo. Muitos vezes o individuo está sujeito a situações de risco e desconhece que esteja. [2]
A forma como as pessoas têm percepção do risco é o factor que influencia os seus comportamentos preventivos, mas muitas vezes, estas tendem a sentir-se pouco vulneráveis perante situações que são difíceis de imaginar pelo facto de terem resultados negativos a longo-prazo, ou por acontecimentos que são pouco prováveis de acontecer.
Há igualmente uma tendência para os indivíduos sobrestimarem os riscos associados a situações que conhecem, a casos próximos, e a subestimarem os riscos que envolvem acontecimentos e casos que desconhecem.
O optimismo é também frequente na avaliação do risco, nomeadamente em questões de saúde como é o caso do VIH. Os sujeitos tendem sempre a pensar que a sua vulnerabilidade é sempre menor do que é na realidade.

Por exemplo, no estudo que realizei os jovens universitários em estudo, demonstraram ter bastante conhecimento sobre o VIH/SIDA, mas não têm qualquer percepção do risco que correm. Acreditam que esta é uma doença do “outro”. Têm plena consciência que têm comportamentos de risco, mas não os evitam. Admitem que não terão a pouca sorte de ser infectados pelo vírus da SIDA. Preferem, inclusive, não pensar nesta possibilidade por lhes causar desconforto. Nenhum dos jovens em estudo conhece ou tem alguém próximo infectado com a doença. Tal situação, contribui para que estes subestimem os riscos que correm.


[1] In Teles, Louise da Cunha e Amaro, Fausto, A SIDA em Portugal e o contexto sociopolítico, Fundação N.S. do Bom Sucesso, (2006), pág.1.
[2] Idem

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

BAREBACKING


Perdoem-me a ignorância mas desconhecia o que era barebacking até chegar à notícia que aqui vos disponibilizo e, que vos rogo para lerem. (Fonte: Sábado (Nº 200 / 28/02/2008))
http://rgvdois.no.sapo.pt/outras/01.pdf

Não consigo deixar de ficar chocada com algumas coisas que li e que traduzem tão bem o pensamento de tantos de vós. O que é que poderá ser feito para travar estas mentalidades, a informação deturpada, e esta inconsciência violenta?


Vejam alguns dos excertos que seleccionei:
“Nunca estive com tanta gente (...) tem é de ser com gente de confiança.”

“Nunca se perguntou se alguém era seropositivo e acho que isso nem interessava. As pessoas que participam nisto não querem falar sobre doenças, querem apenas sexo.”

“Quando lá vou, não olho a caras. Tenho sexo com quem aparece. Eu sei que é um risco, mas se apanhar sida não será o fim do mundo. E os heterossexuais não fazem também sexo desprotegido?”

Bug chasers são indivíduos ainda limpos que procuram o “presente” (VIH) dos gifts givers para se converterem em dadores. O ritual de passagem é celebrado como uma vitória pessoa (...) os mais recentes gifts givers participam nas próximas festas já com o novo estatuto, num ciclo vicioso de contaminação.”

E não pensem que quero apenas acusar os homossexuais desta desconsciência, porque também os heterossexuais preferem esquecer-se da sida, da vida, na hora do sexo.
Apelo à vossa participação e por favor parem de ignorar este problema!

No próximo post escreverei sobre a percepção do risco que é tão pouca no que toca ao VIH-SIDA.

Passem também aqui: http://tempo-de-janela.blogspot.com/2009/01/barebacking.html


Andreia

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

A SIDA enquanto notícia

No seguimento do comentário da Mié aqui vai,


A SIDA nem sempre foi notícia, segundo Rogers, Dearing e Chang, esta passou por uma fase invisível, mais ou menos entre 1981 e 1985, pelo facto de não ter grande noticiabilidade. O caso “Rock Hudson” veio ajudar a projectar esta questão devido à associação da SIDA a uma estrela de Hollywood.

Figuras eminentes da democracia portuguesa, como o Presidente da República, Primeiro-Ministro, e os Ministros, estão ausentes nas notícias sobre o VIH/SIDA. Exceptua-se o envolvimento da Ministra da Saúde no caso do sangue infectado e, algumas controvérsias no âmbito de actos relativos ao Dia Mundial da SIDA que envolvem algumas destas figuras distintas da nossa democracia. Personalidades como estas deveriam actuar junto da sociedade como promotores desta problemática, incentivando igualmente a presença deste assunto nas agendas do jornalistas e do público português.

Dentro desta temática, são as organizações não-governamentais que sobressaem, principalmente a partir dos anos 90. Estas deram um grande contributo para se expandir a informação sobre o VIH/SIDA e, a sua constante presença e preocupação em actuar neste terreno relevou a importância das “vozes alternativas”.

O facto da Organização Mundial de Saúde ter incentivado a criação do Dia Mundial da SIDA, demonstrou ser uma estratégia muito bem conseguida no que concerne em tentar manter esta problemática mais presente nos media e, consequentemente no público.[1] Contudo, a SIDA não deve ser notícia exclusiva deste dia (1 de Dezembro), a informação sobre esta temática deveria chegar-nos constantemente de modo a adquirirmos verdadeira consciência e conhecimento dela. E esta informação não tem de vir sempre “maquilhada” da mesma maneira, sob a forma de histórias, relatos ou reportagens de pessoas que contraem SIDA, enaltecendo sempre o aspecto degradante de alguns doentes ou associando maioritariamente a doença à droga, dando azo à descriminação e a imagens pré-concebidas. As pessoas, quanto a mim, precisam destas histórias, mas precisam mais ainda de conhecer o real risco que correm, de saber como se transmite o vírus do VIH, e que a SIDA não é uma doença só dos toxicodependentes e dos que não têm tão bom aspecto, de terem conhecimento de como e onde podem efectuar os testes de VIH e da importância que o preservativo têm não apenas como protector de gravidezes mas principalmente das nossas vidas, entre outras informações. E, informações como estas deveriam ter uma presença mais assídua nos diversos meios de comunicação social.

[1] Traquina, Nelson; Silva, Marisa Torres; Calado, Vanda, A Problemática da SIDA como notícia, Media e Jornalismo, Livros Horizonte, 2007, pág. 95-97.

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Os media e a saúde pública

“Vasta literatura tem demonstrado a eficácia da utilização dos meios de comunicação de massas em campanhas de saúde, contribuindo para a informação, formação, mudança de atitudes e comportamentos de pessoas, não só a nível individual, mas também a nível social (...) Hoje, inúmeras organizações e instituições usam os meios de comunicação como uma parte dos seus esforços educativos, especialmente quando as potenciais audiências são imensas e dispersas.”[1]
A função e utilidade dos media em relação às temáticas da saúde não tem gerado consensos, existindo diversas opiniões alicerçadas em argumentos diversos. Certos teóricos defendem que os media têm uma função educativa, ou seja, que estes devem estimular o conhecimento das pessoas e facultar-lhes informação, e que através da mensagem certa conseguem resolver o mais complicado problema de saúde (Backer, 1992)[2]. Outros, como Wallack, sustentam a ideia de que estes são anti-educativos, não sendo os mais adequados para promover campanhas de saúde pois não compreendem a função educativa. Acrescentam ainda que a programação é sobretudo anti-educativa em vez de educativa e, que os media não conseguem ter efeito sobre os comportamentos individuais. Acusam os meios de comunicação de promover pouco o debate no âmbito da saúde pública e inclusivamente de o limitarem, de terem o lucro como principal meta e que o serviço público é secundário para eles. Ou seja, segundo este prisma os media não são aliados da educação, funcionando como uma barreira dominadora. [3]

E vocês que pensam em relação a isto?
Os media têm um papel importante no processo informativo e preventivo do VIH/SIDA?
Em que meio de comunicação social predomina a informação sobre a SIDA?
Passem neste endereço, está cheio de informação útil: http://hiv-sida-aids.blogspot.com/

[1] Lopes, Orquídea , SIDA: Os media são deuses de duas cabeças, Como estruturar campanhas de Saúde Pública, Psicosoma, 2006, pág. 38 e 39.
[2] In Lopes, Orquídea , SIDA: Os media são deuses de duas cabeças, Como estruturar campanhas de Saúde Pública, Psicosoma, 2006, pág. 55 e 56.
[3] Lopes, Orquídea , SIDA: Os media são deuses de duas cabeças, Como estruturar campanhas de Saúde Pública, Psicosoma, 2006, pág. 56.