No seguimento do comentário da Mié aqui vai,
A SIDA nem sempre foi notícia, segundo Rogers, Dearing e Chang, esta passou por uma fase invisível, mais ou menos entre 1981 e 1985, pelo facto de não ter grande noticiabilidade. O caso “Rock Hudson” veio ajudar a projectar esta questão devido à associação da SIDA a uma estrela de Hollywood.
Figuras eminentes da democracia portuguesa, como o Presidente da República, Primeiro-Ministro, e os Ministros, estão ausentes nas notícias sobre o VIH/SIDA. Exceptua-se o envolvimento da Ministra da Saúde no caso do sangue infectado e, algumas controvérsias no âmbito de actos relativos ao Dia Mundial da SIDA que envolvem algumas destas figuras distintas da nossa democracia. Personalidades como estas deveriam actuar junto da sociedade como promotores desta problemática, incentivando igualmente a presença deste assunto nas agendas do jornalistas e do público português.
Dentro desta temática, são as organizações não-governamentais que sobressaem, principalmente a partir dos anos 90. Estas deram um grande contributo para se expandir a informação sobre o VIH/SIDA e, a sua constante presença e preocupação em actuar neste terreno relevou a importância das “vozes alternativas”.
O facto da Organização Mundial de Saúde ter incentivado a criação do
Dia Mundial da SIDA, demonstrou ser uma
estratégia muito bem conseguida no que concerne em tentar
manter esta problemática mais presente nos media e, consequentemente no público.
[1] Contudo, a
SIDA não deve ser notícia exclusiva deste dia (1 de Dezembro), a informação sobre esta temática deveria chegar-nos constantemente de modo a adquirirmos verdadeira consciência e conhecimento dela. E esta informação não tem de vir sempre “maquilhada” da mesma maneira, sob a forma de histórias, relatos ou reportagens de pessoas que contraem SIDA, enaltecendo sempre o aspecto degradante de alguns doentes ou associando maioritariamente a doença à droga, dando azo à
descriminação e a imagens pré-concebidas. As pessoas, quanto a mim, precisam destas histórias, mas precisam mais ainda de
conhecer o real risco que correm, de
saber como se transmite o vírus do VIH, e que a
SIDA não é uma doença só dos toxicodependentes e dos que não têm tão bom aspecto, de terem conhecimento de como e onde podem efectuar os
testes de VIH e da
importância que o preservativo têm não apenas como
protector de gravidezes mas principalmente
das nossas vidas, entre outras informações.
E, informações como estas deveriam ter uma presença mais assídua nos diversos meios de comunicação social.[1] Traquina, Nelson; Silva, Marisa Torres; Calado, Vanda, A Problemática da SIDA como notícia, Media e Jornalismo, Livros Horizonte, 2007, pág. 95-97.